Reflexo do amor (e da dor).
Hoje acordei com a estranha sensação de que alguém estava deitado ao meu lado na cama. Parei o tempo para apreciar aquele momento, aquele calor que chegava até mim, mas quando abri os olhos, me vi só. Você não estava mais lá...
Não consegui levantar. Fiquei inerte enquanto as memórias do teu amor lentamente me invadiam e me roubavam o ar. Olhei para cima e vi, através da janela, o céu iluminado pelo mesmo luar que tantas vezes contemplamos juntos. Pude ouvir claramente o teu nome no murmurar inquieto das estrelas...
Finalmente uma lágrima rolou por minha face, me deixando confusa. Eu tinha a certeza de que não sentia mais a tua falta, de que todas as lágrimas que certa vez derramei por culpa do sofrido amor não-correspondido que sentia por ti, já haviam secado de vez!
Em meio a esse momento de fragilidade (que só a solidão da noite nos causa), busquei no fundo de minh'alma quais seriam os sentimentos desenterrados por aquela única gota, capaz de causar tormento em plena paz!
Percebi, com satisfação, que sentimento nenhum havia ali. Tratava-se apenas de um reflexo daquilo que me aconteceu quando partiste sem avisar.
Percebi, com satisfação, que sentimento nenhum havia ali. Tratava-se apenas de um reflexo daquilo que me aconteceu quando partiste sem avisar.
Considerei aquela pequena lágrima como um aviso do coração de que a tempestade havia passado, agora era o momento da calmaria e da bonança. Mas, ainda assim, as lembranças permanecem e isso é impossível de mudar...
Deixei-me então levar apenas pelas boas lembranças e pela tênue saudade ligada a elas. Adormeci e, mesmo sem lembrar dos sonhos que tive, sei que eles, assim como o meu coração um dia também, foram teus.
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