Crônica um
Então Manoel olhou pra mim, ele branco-pálido e eu vermelho-cara-você-estragou-tudo-!. Éramos agora só nós dois e aquele corpo estirado e estilhaçado no chão...
- Porra, cara... - Disse-me meu caro amigo.
- Porra, não. Porríssima!
Não deu outra, em cinco minutos nós já estávamos ouvindo o alarme, os gritos, e nos entreolhávamos, perguntando silenciosamente quem iria pagar por aquilo.
Seu Carlos entrou na sala, já alterado, mas quando viu aquela cena, congelou. Olhou para o corpo no chão, para a mesa virada, as estantes derrubadas, as nossas roupas manchadas de vermelho e pude ver a cara do coitado ir ficando gradualmente rósea, vermelha, arroxeada... até que sua ira explodiu!
GRITOU! GRI-TOU. Gritou, gritou... até que se acalmou. Depois riu da nossa burrice e saiu de lá, indo avisar aos fofoqueiros de plantão que estava tudo bem, "eram só aqueles dois garotos bobos pondo em prática a sua bobeirice...".
Vendo bem, Seu Carlos estava certo. Maldita a hora em que Manoel resolveu coçar o nariz e soltar a escada, em cima da qual eu estava quase alcançando o galão de tinta vermelha, no topo do armário! Na queda, trouxe comigo o galão (estava aberto, que coincidência!) e na briga com Manoel, levamos ao chão mesa, estantes e a preciosa estátua de Vênus que Seu Carlos tanto adorava!
No fim, eu ainda tive que pagar sozinho pelo prejuízo! Ah, Manoel, meu caro - caríssimo! - amigo (maldito seja)...
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