Sr. Caio da Silva,

Lembra-se da Carla? Aquela que lhe apresentei há duas semanas como minha esposa. Lembra-se também da mensagem que você me mandou na terça passada? Cito textualmente: “Ah Carlos, vi o Caique com sua mulher no cinema ontem”… Pois é, gostaria de informar-lhe que naquela noite cheguei soltando os cachorros em casa, em cima de minha mulher! Nossos filhos ficaram tão assustados que foram se esconder no quintal. Eu estava indignado e, depois de dizer umas poucas e boas a ela, perguntei o motivo de ela estar indo ao cinema com o meu amigo Caique… Assim que lhe disse isso, ela saiu enfurecida da sala e trancou-se no quarto, deixando-me confortavelmente a dormir na sala. Na manhã seguinte ela me deu a notícia: queria o divórcio. E não houve quem lhe tirasse essa ideia da cabeça! Ela disse que não conseguiria conviver com o meu ciúme “infantil e infundado”. Fui trabalhar desolado… Mas eis que encontro com o meu amigo Caique na firma e ele me sai com a seguinte frase: “Ah Carlos, você não sabe da última! Terça passada assisti um filme ótimo no cinema com a minha mulher”. Então, caro Sr. “Ex-amigo” da Silva, quero apenas dizer-lhe, afinal, que vi o Ricardo aos beijos com sua mulher ontem na praça. Interprete como quiser. Carlos.

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